A atriz Glória Menezes, um dos nomes mais importantes da história da televisão brasileira, morreu nesta terça-feira (18), aos 91 anos. A informação foi confirmada pela assessoria da artista. Ela morreu em casa, no Rio de Janeiro, acompanhada pelo filho Tarcísio Filho e por outros familiares. Segundo a assessoria, Glória estava debilitada em razão da idade avançada.
Nascida em Pelotas, no Rio Grande do Sul, em 19 de outubro de 1934, Glória Menezes se mudou com a família para São Paulo aos seis anos. Foi na capital paulista que iniciou sua formação artística e construiu uma carreira que se estendeu por mais de seis décadas, com trabalhos no teatro, no cinema e na televisão.
Glória iniciou a carreira artística no fim dos anos 1950, participando de teleteatros da TV Tupi. Em 1959, estreou em novelas com “Um Lugar ao Sol”, produção que marcou o início de uma trajetória que a levaria a se tornar uma das principais atrizes da televisão brasileira.
A formação no teatro também teve papel importante em sua carreira. Glória estudou na Escola de Arte Dramática da Universidade de São Paulo (USP) e recebeu reconhecimento ainda no início da trajetória profissional.
No cinema, um dos trabalhos de maior destaque foi “O Pagador de Promessas”, filme dirigido por Anselmo Duarte que conquistou a Palma de Ouro no Festival de Cannes, em 1962.
Um dos grandes marcos da carreira de Glória Menezes aconteceu em 1963, quando ela e Tarcísio Meira protagonizaram “2-5499 Ocupado”, da TV Excelsior, considerada a primeira novela diária da televisão brasileira. A produção consolidou a atriz como uma das pioneiras da teledramaturgia nacional.
A parceria com Tarcísio Meira também ultrapassou os estúdios. Os dois formaram um dos casais mais conhecidos da televisão brasileira e permaneceram juntos por quase seis décadas. Tarcísio morreu em 2021, aos 85 anos.
Ao longo da carreira, o casal voltou a trabalhar diversas vezes. Entre os projetos em que dividiram a cena estão novelas como “Irmãos Coragem”, “Guerra dos Sexos” e “A Favorita”, além do seriado “Tarcísio & Glória”, exibido pela Globo em 1988.
Glória Menezes se destacou pela capacidade de interpretar personagens de diferentes perfis. Em “Irmãos Coragem”, de 1970, viveu três personagens distintas. Anos depois, ganhou destaque como Ana Preta em “Pai Herói”, de 1979, e como Laurinha Figueiroa em “Rainha da Sucata”, de 1990.
Sua trajetória também inclui trabalhos em “Senhora do Destino”, “A Favorita”, “Páginas da Vida”, “Cama de Gato” e “Joia Rara”, entre outras produções.
Na televisão, seu último trabalho em novelas foi “Totalmente Demais”, exibida originalmente entre 2015 e 2016, na qual interpretou Stelinha.
Mesmo tendo construído a carreira principalmente em São Paulo e no Rio de Janeiro, Glória Menezes nunca deixou de destacar suas raízes gaúchas.
A atriz costumava falar com carinho sobre Pelotas e sobre as lembranças da infância na cidade. Em entrevistas, ressaltava a influência dos costumes do Rio Grande do Sul em sua formação e mantinha uma relação afetiva com o estado onde nasceu.
A ligação com a região ganhou destaque após sua morte, anunciada durante a realização do Festival de Cinema de Gramado.
A morte de Glória Menezes encerra uma trajetória que acompanhou diferentes fases da televisão brasileira. Desde os primeiros anos da teledramaturgia até a consolidação das grandes novelas, a atriz participou de produções que ajudaram a formar a memória audiovisual do país.
A presidente da Academia Brasileira de Cinema, Renata Almeida Magalhães, lamentou a morte da atriz durante sua participação no Festival de Cinema de Gramado. Na ocasião, também comentou a morte de Laura Cardoso, ocorrida um dia antes.
As duas atrizes, segundo Renata, representam uma geração fundamental para a cultura brasileira. A declaração reforçou a dimensão do legado deixado por Glória, que construiu uma carreira marcada pela longevidade, pela versatilidade e pela presença em diferentes áreas da dramaturgia.
Com mais de 60 anos de carreira, Glória Menezes deixa uma obra que atravessa gerações e permanece como parte da história do teatro, do cinema e, principalmente, da televisão brasileira.